Quando estávamos no início do Ensino Médio, Andressa e eu vivíamos em um planeta bizarro . Andávamos com T., que diferente de nós era toda menininha e num primeiro momento desviava toda atenção para si, com seus olhos verdes e seu cabelo louro. Nessa mesma época tentávamos ser populares, certamente porque queríamos compensar nosso terrible time de Ensino Fundamental. Tentávamos mesmo: conversávamos com as pessoas que alguns meses depois estaríamos odiando e passávamos o intervalos com os garotos populares, que ficavam os 20 minutos do "recreio" conosco por causa de T. (que não obstante o cabelo louro, liso e comprido, e os olhos esverdeados não era tão bonita assim). Nossas tentativas foram realmente inúteis: éramos, e ainda bem que ainda somos, muito diferentes dos membros funestos daquela dita "escola técnica". Tanto que quando estávamos sozinhas, longe de T., reclamávamos porque não tínhamos nenhuma idéia suficientemente boa para escrever uma livro que se torn...
Toda vez (e são muitas vezes) que P., meu professor de alemão, diz que “a oralidade subverte as regras”, sinto minhas mãos ficarem levemente aquecidas e mais pressinto do que sei que um sorriso tomou-me o rosto. Sei que P. pensa que isso é sinal de concordância, como se eu dissesse sem dizer: “esses falantes nativos inconseqüentes que desconsideram séculos, para não dizer milênios, de desenvolvimento gramatical desde a gênese do sistema verbal e saem por aí falando do jeito que bem entendem, ignorando a existência de todos os manuais de gramática e etc. etc. etc.” Acontece que não é bem assim... Justo eu, purista que sou (ou tento ser) penso em citar-lhe Saussure, lingüista que considerava a língua como uma “instituição social”, além de toda aquela baboseira que se aprende em IELP (muito mais do que em Lingüística) como o fato de que a língua, como instrumento de comunicação, é de natureza dinâmica e que é, por isso, impossível conter sua evolução. Acho que é esse curso de Letras que...
Os dias agora passam mais conformados. O desespero pós-traumático que a mudança de ano sempre me traz já foi contornado: sinto-me melhor. Por esses dias, passeei, li, estudei... tudo do meu jeito, à la Srta Smilla. Não estou mais dedicando minhas tardes a dormir sobre minha bagunça, até mesmo porque arrumei meu quarto – se eu virar um Ungeziefer, como Gregor Samsa, vou precisar de um pouco mais de espaço... Estou tentando controlar a bílis, comer menos, beber mais água, fazer exercícios e manter meu espaço em ordem – o que é difícil porque sou explosiva, esfomeada, sedentária e desorganizada. Custa muito ser uma pessoa melhor, principalmente quando (como no meu caso) se é perfeccionista sem estar nem um pouco próximo da perfeição – isso deixa qualquer um paranóico, ou, pelo menos, deixou-me paranóica. * Estou, entretanto, sentindo uma alegria boba e inexplicável, como toda alegria deve ser. Talvez sejam os primeiros sinais de mudança, da estabilidade emocional que eu sempre busquei m...
Comentários