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Paciência 2: o retorno

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Hoje foi um dia torturante. Não sei se foi ressaca do primeiro embate, travado ontem, com a "Retórica da poesia", mas o marasmo, que foi o prato do dia, se arrastou com requintes de crueldade pelas 24 horas do presente dia. Depois de ter ido passear com Nina pela manhã (sol depois das 10h é prejudicial) e ter ido comprar ração para ela pelo segundo dia consecutivo (o sujeito da casa de rações é sério, interessante), tentei ler, tentei estudar, tentei auto-desintegração... porém só consegui mesmo dormir toda torta, de calça jeans, sobre minha bagunça. Acordei às 6 da tarde, zonza, transpirando feito um suíno e enxergando tudo verde. Para piorar a situação: eu estava toda feliz porque vou passar a festa de ano novo na casa dos meus adorados tios S. e L., até que descobri que o membro funesto da família também estará lá! * Nas minhas síndromes de avestruz gosto de enfiar minha cabeça no vácuo e esquecer do mundo. * Preciso decidir se vou fingir que estou morrendo para n...

Raskólnikov

Adoro Dostoievski. Enquanto estava lendo “Noites branca” chorava só de olhar para o livro. Quando terminei, quis matar Nastenka. Acontece que tenho um problema com Dostoievski (e com literatura russa de um modo geral): os nomes – russos, por sinal. Não consigo guardá-los por mais de um parágrafo, tão cheios de K’s e terminados em “ov” que são. Quando li “Recordações da casa dos mortos”, umas 500 páginas de lembranças, ou seja, cheias de nomes russos, ficava voltando algumas páginas a todo momento, pois nunca sabia qual era o “ov”de que se estava falando. Agora estou lendo “Crime e castigo” (pela primeira vez na vida... sei que é vergonhoso). Levei uns oito capítulos para conceber que o personagem principal se chama Raskólnikov. Quanto aos outros membros da trama, só o contexto me faz identificá-los, porque os nomes russos...

Assuntos vários

Natal é época de bom senso: bom senso de saber que, se você come três pratos com carne de porco mais especialidades natalinas, bebe 2l de refrigerante e 5 taças de espanhola (com mais leite condensado do que vinho) e come inúmeras tacinhas de sobremesas hiper-calóricas, não adianta reclamar do tamanho do bumbum, nem da pança, afinal isso não é carnaval, seguido por um dia só para arrependimentos. * A festa na casa da minha madrinha foi bem legal, principalmente porque o membro funesto da família não estava presente. * Sobre os "últimos livros": -"Fábulas" (La Fontaine): mais ou menos - a intenção foi boa, mas o resultado é meio hipócrita :+ -"Assim falou Zaratustra" (Nietzsche): muito bom, com trechos que causam verdadeiros êxtases literários, mas, cá entre nós, Zaratustra é hipócrita e egocêntrico :] A propósito, a frase lá em cima, abaixo do título do blog, e deste livro. * Descobertas: descobri como se diz "Feliz Natal" em Alemão: ...

Ah, se o meu Zeca falasse...

"Meu amor, minha flor, minha menina" (Zeca Baleiro) Meu amor, minha flor, minha menina Solidão não cura com aspirina Tanto que eu queria o teu amor Vem me trazer calor, fervor, fervura Me vestir do terno da ternura Sexo também é bom negócio O melhor da vida é isso e ócio Isso é ócio Minha cara, minha Carolina A saudade ainda vai bater no teto Até um canalha precisa de afeto Dor não cura com penicilina Meu amor minha flor minha menina Tanto que eu queria o teu amor Tanto amor em mim como um quebranto Tanto amor em mim, em ti nem tanto Minha cora minha coralina mais que um Goiás de amor carrego destino de violeiro cego Há mais solidão no aeroporto Que num quarto de hotel barato Antes o atrito que o contrato Telefone não basta ao desejo O que mais invejo é o que não vejo O céu é azul, o mar também Se bem que o mar às vezes muda, Não suporto livros de auto-ajuda Vem me ajudar, me dá seu bem Meu amor minha flor minha menina Tanto que eu queria o teu amor Tanto amor em mim co...

Morte ao Noel

Hoje fui fazer as tais das "Compras de Natal" com mamãe (nem um pouco em cima da hora, a propósito). Odeio o Natal. É a única coisa capaz de lotar um shopping center em plena quarta-feira às 3 da tarde! Discuti com uma consumidora maluca que começou a me empurrar no meio da loja e mandei uma gerente fdp enfiar o pacote que ela demorou trocentos anos para pegar (para depois me atender com uma imensa cara de bosta) em algum lugar bem obscuro. * Odeio o Natal, as pessoas cínicas que fingem alegria natalina, as roupas natalinas, as comidas natalinas (exceto torrone, que eu aaaaamo), as reuniões natalinas, as multidões natalinas, as filas para tudo típicas do Natal. Enfim, odeio muito o tal do Natal.

Da inocência e seus delírios

A realidade dos inocentes é um mundo apartado de qualquer racionalização paupável, que possa ser exposta aos olhos curiosos e maculadores dos que já passaram, mesmo que há muito e assaz rapidamente, pela primavera em que o cheiro dourado e o colorido adocicado dos motivos sem razão se sobrepunham a tudo. Isso porque, quando me refiro a "Inocência", refiro-me ao estado de pureza dos sentidos: quando todos os sentimentos e sensações tidas como inferiores ou impuras estão presentes (afinal são inerentes), mas simplesmente são, ou como talvez dissesse Caeiro, quando eles fazem parte da natureza, irrefletidos como a natureza deve ser. Os medos, os desejos e os rancores são irracionais. Quando eu era pequena tinha muitos medos (de perder meus pais, do escuro, dos sonhos inexplicáveis, de não ter nada que me sustentasse no mundo e de comer peixe); tinha algumas paixões e infinitos rancores. Ainda tenho todos eles, porém de maneira muito diferente: descobri que todos eles têm uma ...

Ao fim, ao cabo: os saldos

Dois semestres se passaram e eu mal percebi; tudo foi muito rápido. Ainda me lembro com clareza, como se tivesse sido hoje de manhã, do dia em que pus os pés pela primeira vez na "Cidade Universitária": estava tão extasiada de felicidade que nem me importei com o aspecto decadente do prédio de Letras ("parece COHAB", disse meu pai). Achei tudo lindo: as árvores, o matagal descontrolado, o "super esquadrão de insetos gigantes", os seguranças que não sabiam dar informações... Meu receio de que minha aprovação fosse na verdade um equívoco do sistemas só passou quando, depois de muito tempo procurando o prédio de História, uma mulher de óculos mandou eu assinar um papel e me deu uma carteirinha provisória, escrito USP e com meu nome e minha foto. Então comecei a me preparar para as futuras desventuras estomacais e cefaléias (sou muito histérica). E tudo foi assim: IEC I: Fiz com a ilustríssima M. L., muito simpática e divertida, porém um tanto amnésica. Foi...