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Mais do mesmo

Há séculos que este singelo blog está pra lá de abandonado. Talvez seja por falta de novidades ou talvez seja o caso de todas as novidades serem muito parecidas (a USP e o Alemão consomem todos os meus dias). Meu projeto de IC em semiótica poética está num vai-não-vai aguniante (se eu não fosse atéia diria que isso é um sinal divino, mas como sou, não sei explicar o motivo). A última semana, até ontem (quarta-feira), não foi boa: fiz exame de sangue, minha garganta estava toda inflamada, passei um dia inteiro com cólica e dias sem respirar, com o nariz entupido (a narina esquerda sempre mais entupida que a direita, afinal o pulmão esquerdo é menor); sem contar que tive que sair correndo para tudo quanto é canto para conseguir enviar o projeto (que ainda não enviei) para tentar a nova bolsa da USP e começar a adaptá-lo para a bolsa da FAPESP. Estou um trapo de gente, porém agora um pouca mais feliz. Agora já estou conseguindo respirar um pouco melhor, a cólica já passou e os documentos ...

Domingo, Segunda e Segunda quase Terça

[Domingo] Passou na tv, pela milésima vez, o filme “O guarda-costas”, o que certamente me desviou do propósito de terminar o meu primeiro fichamento do semestre (sobre o Classicismo português). Não é, certamente, o que se possa chamar de bom filme: o roteiro é fraco, Kevin Costner faz o mesmo cara durão de todos seus filmes e Witney Huston, tirando o olhar muito sincero que dizia “vou comer este cara” que ela destinava ao Frank, personagem de Costner, é uma péssima atriz. Não obstante tudo isso que depõe contra o longa, eu o acho imensamente gracioso e, desde que o assisti pela primeire vez, há uns cinco ou seis anos atrás, não resisto, e toda vez que ele passa assisto novamente. É fabuloso ver Kevin pulando de um carro “quase” em movimento, para depois sair correndo no meio do mato, pular um muro e “quase” cair em cima de outro carro. Ou então bater em um sujeito duas vezes maior que ele sem levar um único murro na cara, atravessar uma multidão numa casa noturna e sair carregando a m...

Primeiras novas impressões

As aulas finalmente recomeçaram. Passado o primeiro impacto de abandono, resultante da debandada dos amigos por quatro diferentes habilitações e divergências de horários nas únicas matérias em comum, aos poucos se começa um novo processo de ambientação, para que os rostos ao redor se tornem conhecidos, não necessariamente amigos, porém ao menos familiares. Creio que a turma de alemão será mantida para as disciplinas da habilitação de Português, o que de certa forma contribui. Eu e E., pelo menos, já verificamos que temos todas as matérias em comum. Além disso, resta se acostumar com os novos professores, que foram impostos e distribuídos pelo mais incoerente acaso. Até agora só conheci dois, ou melhor, duas: M., de Língua Alemã I, que parece ser simpática e bem humorada; e F. de Literatura Portuguesa I, que ao que tudo indica tem laivos de histeria, é metódica e exigente, sem que isso a torne, entretanto, propriamente antipática. No primeiro semestre só tive uma professora. No segundo ...

Pequenas comoções (ou comoções refratárias)

L. (meu irmão) e eu compartilhamos do que eu carinhosamente nomeei, numa taxionomia do nosso sistema passional, de “ansiedade covarde”. Acontece que ele é apenas um menino; e eu não. Todo início de semestre ele, sábado à noite, começa a se sentir mal. Seu rostinho, entre o inocente e o cínico, se torna de uma brancura cadavérica, ele todo fica gelado e suas mãos ainda pequenas repousam no estômago, para tentar se proteger da ânsia de vômito que ele ingenuamente chama de “dor de barriga”. No dia seguinte à retomada às aulas, entretanto, L. já retorna ao seu estado normal, ou seja, um misto de humor pastelão e irritação arrogante, discutindo com minha mãe pelo direito de abandonar os deveres de casa para poder jogar “videogueime” (como diz Maurício de Souza). É certo que meus sintomas são muito amenos, o que talvez seja apenas o resultado de quase duas décadas de existência. De qualquer forma, os medos de hoje já fazem sentido: são racionalmente (ou pelo menos assim penso) explicáveis. A...

As oito patas da aranha

Segundo a definição, a aranha pertence à classe dos artrópodes terrestres, assim como o escorpião, o carrapato e o ácaro, com oito patas e corpo dividido em cefalotórax e abdome. As aranhas, em particular, são aracnídeos cujo abdome tem glândulas que segregam seda, com que fazem as teias. (cf. verbetes “aracnídeo” e “aranha” do Minidicionário Aurélio da Língua Portuguesa) Hoje, quando fui inocentemente buscar o creme de pentear na janela do banheiro, avistei uma aranha de diferentes gradações de marrom na parte de cima do vitrô. Lentamente retirei o chinelo do pé direito e desferi um golpe que era para tê-la atingido. Porém como não atingiu ela pulou para cima de mim. Atendendo a meus gritos descontrolados, meu irmão (sete anos mais novo) invadiu o banheiro, que estava com a porta encostada, para ver que tipo de besta fera havia me atacado. Embora L. não seja um poço de coragem, começou a procurar a aranha, depois de verificarmos que ela não estava na minha roupa nem em meu cabelo. A...

Do outro lado do muro

Os estados não se aplacam com a simples chegada de um inédito alvorecer, mas certamente ganham novos matizes, de relevância sutil porém significativa. Ontem foi um desses dias em que tudo ganha, de forma inesperada, senão propriamente uma graciosidade particular e inerente, pelo menos um colorido especial. Desisti de abandonar (pelo menos por hora) meu curso de alemão aos sábados, que tantas vezes me deixou tão iracunda. Ontem a aula foi muito boa para mim (senti uma sensível melhora de meu ouvido adormecido, que sempre se recusa a ouvir o que nunca foi ouvido antes, embora ele continue ignorando a existência do advérbio “auch” e confundindo “nicht” com “nie”. Mas isso um dia passa, assim espero. De qualquer forma fiquei muitíssimo feliz com meu singelo (e esse sim gracioso) progresso. * Fui com Rita, T. e sua prima, I., à Pinacoteca (P. e R. não puderam ir). Como sou uma pessoa muito antropofóbica gosto de passeios assim, resumido a poucas pessoas porém todas muito amigas, sem mult...

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O momento não é dos melhores. São várias as aflições e os medos e eu não sou exatamente uma pessoa que saiba lidar com incertezas sem passar por noites mal dormidas, intensas dores estomacais, cefaléias latentes e mal-humores incuráveis. A ansiedade é um mal terrível: consome dias, noites, vidas... Uma vez me disseram que ela não é necessariamente ruim, mas sim um modo muito intenso de encarar as pequenas e grandes intempéries diárias, uma forma mais intensa de viver a vida. Porém quando se enfrenta ansiedade e angústia, ao mesmo tempo, o desespero atinge proporções desmedidas, exageradas. Eu sinto-me como se estivesse com a cabeça submersa, e um detalhe importante é que não sei nadar e sou semi-claustrofóbica. Até que eu tento fugir de tudo isso, esquecer por um tempo, sorrir e fingir que tudo está (ou ficará) bem, mas quando se encara, na solidão de um dia de calor desértico, as paredes do próprio quarto às 3 horas da tarde, não há como escapar ileso dos pensamentos tumultuados e c...