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Para os que não entendem...

Não acredito ser errada a solidão, mas acostumei-me com a ideia do ser incompreendido. Não que não seja incômodo quando todos facilmente notam que você não faz parte do todo, de nenhum todo. Não que as classificações não sejam doloridas, mas é um preço a se pagar para quem escolheu viver em sua própria ilha. Mas nada me dói tanto como as vezes em que ouço você dizer que sou bruta. Bruta. Logo você, que deveria enxergar o cerne. Bruto: malformado, mal-acabado, violento, imoderado, arbitrário, ríspido, cruel, bárbaro, insensível, desagradável e repugnante. Talvez você não saiba, mas palavras não voltam atrás. Por vários momentos acreditei que você enxergasse a dor, a confusão, a fragidade. Mas para você não há nada ali, a não ser, é claro, a brutalidade. "Variações sérias em forma de soneto" Vejo mares tranquilos, que repousam, Atrás dos olhos das meninas sérias. Alto e longe elas olham, mas não ousam Olhar a quem as olha, e ficam sérias. Nos recantos dos ...

Para os que estão prontos para a Verdade...

"Torceu e rezou para que não houvesse vida após a morte. Então percebeu que havia uma contradição nisso e simplesmente torceu para que não houvesse vida após a morte." ADAMS, Douglas. In: A vida, o universo e tudo mais (terceiro livro da série d' O mochileiro das galáxias )

Sobre o fim de um período mental

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A Cidade Universitária é realmente bela para quem sabe apreciá-la sob o ângulo correto. Quem entra pelo Portão 1 atravessa uma alameda na qual o céu é visto aos pedaços, devido ao "teto de árvores". Quem convive com ela por um certo tempo acaba percebendo que nela até o clima é diferenciado (mais ameno, fresco e prazeroso) e que a amplitude da visão e do espaço causa rebuliços físicos e mentais, principalmente no início (embora seja, de uma maneira geral, uma sensação que não se apaga). Quando você dirige por suas avenidas, que na verdade são ruas muito largas com canteiros centrais com árvores enormes, sente a liberdade contida no "à parte", pois afinal é disso que se trata, do à parte espacial e do à parte mental, que a tornam a "terra da fantasia", como costumava dizer um professor de Língua Latina cujo nome não me lembro mais. É como se você estivesse em uma saga tolkieniana, a caminho de Lothlórie...

Um vão entre duas coisas possíveis

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"Queres escalar a altura livre, a tua alma está sedenta de estrelas, mas também os teus maus instintos têm sede de liberdade." NITZSCHE, Friedrich. In: Assim falou Zaratustra .

Memórias de mim

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"Meu segredo - a explicação de mim - jazia lá. Levei-me por demais a sério, é claro. O que isso importa para alguém como eu, então ou agora? Mas todo homem é importante para si mesmo em um ou outro momento; meu problema tinha sido o de reduzir a importância, a espalhá-la numa camada tão delgada quanto pude por mais de meio século. Graças à minha política de sepultamento, eu tinha entrado em acordo com a vida, tinha feito um trabalhoso - trabalhoso era a palavra - arranjo com ela, sob a única condição de que não deveria haver exumação alguma. Era verdade o que eu às vezes dissera a mim mesmo, que minhas melhores energias tinham sido empregadas no ofício de agente funerário? Se era, o que isso importava? Teria eu me saído melhor, com o conhecimento que tinha agora? Duvido; conhecimento pode significar poder, mas não elasticidade, desembaraço ou adaptabilidade à vida, menos ainda o é a instintiva condescendência pela natureza humana;aquelas eram qualidades que em 1900 eu possuía em ...

Entre o Desespero e a Solidão

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Às vezes me dói o fato de não te ter e de saber que sua distância não pode preencher os vãos da minha existência. Aperta-me o ser quando olho para o vazio e não consigo enxergar a imensidão do seu olhar maduro, a suavidade de sua pele ou a fluidez de seus movimentos. Todos os dias me encontro só, só à hora das estrelas e aos cânticos de Morfeu, e de você tenho apenas a sensação do peso sobre os quadris e da pressão das mãos imaginárias... Quanto ao tempo que não tenho, quanto às horas que não vivo, quanto às paredes pesadas de meu quarto... tudo prescinde à luz azul que trouxeste ao meu olhar castanho, mas a dor de meus olhos baços torna-se a cada dia mais insuperável, tão insuportável quanto a subida de minha escada vazia.

Contantos

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Contanto que vez ou outra você me olhe com ternura ou que afague sem motivos minha face assustada e cansada; contanto que você finja não enxergar meus grandes erros e não notar meus momentos de vergonha; contato que você você aceite a timidez dos meus olhares e a violência de minhas carícias; contanto que seu desprezo seja mentira e que seus outros amores sejam passado... Contanto que você saiba que meu jeito acanhado é meu modo natural de ser, que meu corpo guarda tantas imperfeições e minha mente tantos vícios, que a arrogância é medo, que a timidez é desconforto e que a demência é constante... Contanto que você não se afaste a primeira vez que eu lhe arranhar a face, e que perdoe toda vez que eu lhe expulsar do quarto, e que ouça quando eu estiver eufórica e que cale quando eu estiver calada e alheia... Contanto que você viva segundo as regras do meu mundo, talvez a gente chegue a um acordo, e viva em paz. Quem sabe um dia a gente possa até amar...